Cerveja também é coisa de mulher: veja as contribuições do público feminino ao longo da história

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A cerveja é constantemente associada ao público masculino. A partida de futebol na TV, o churrasco com a família e o happy hour depois do trabalho são alguns dos momentos que são fáceis imaginarmos os homens tomando uma gelada. De alguns anos pra cá, as mulheres também começaram a ser vistas na esfera cervejeira, seja como consumidoras, produtoras, sommeliers, mestres cervejeiras e no comando de empresas do ramo.

No entanto, o reconhecimento das mulheres nesse universo cervejeiro ainda é pequeno em relação ao público masculino. E vale ressaltar que é devido ao esforço de grandes mulheres que hoje é possível vê-las atuando em um meio predominantemente machista.

Mas nem sempre foi assim, na verdade, na linha cronológica da cerveja, que existe há mais de 5 mil anos, as mulheres tiveram uma participação muito mais expressiva e potente do que os homens.

Para se ter uma ideia, nas civilizações antigas, eram as mulheres que produziam e comercializavam as cervejas e o papel do homem era secundário nesse processo. A exclusão das mulheres ocorreu na transição da economia baseada na agricultura para a economia baseada na produção industrial. Como as mulheres não tinham dinheiro para adquirir ferramentas para uma produção em larga escala, elas foram afastadas da feitura da cerveja.

Mas nunca é tarde para reconhecer o talento e a força das mulheres. Por isso, preparamos uma linha do tempo que mostra as contribuições do público feminino no universo da bebida. Veja a seguir:

Descoberta da cerveja foi feita por mulheres

Na Mesopotâmia, há mais de 5 mil anos, as mulheres eram responsáveis por colher grãos e misturá-los à água e ervas para alimentar os povoados locais. Só que elas perceberam que o cozimento dos ingredientes resultava em um suco capaz de fermentar de maneira natural.

Elas perceberam que o líquido tinha um sabor agradável e deixava as pessoas que o bebiam felizes. Então, começaram a aprimorar suas habilidades na produção deste líquido.

Esse tipo de produção era feita em casa e compartilhada com outras mulheres, como não existia tecnologia naquela época, todo o compartilhamento de informação era feito pela conversa e demonstrações. A partir desse aprendizado, as mulheres iniciaram a primeira produção de cerveja da qual se tem registro.

mulher cervejeira

Uma mulher cervejeira no comando da civilização

Os povos Sumérios foram a primeira civilização da humanidade. E quem governava esse povoado eram os reis. A sucessão do trono ficava entre os homens da família e o papel das mulheres era o de cuidar da casa. No entanto, uma mulher cervejeira chamada Kubaba conseguiu conquistar o trono e a admiração dos povos Sumérios, tornando-se assim a primeira mulher no comando da civilização.

Um talento ensinado por Deus

A produção de cerveja foi se expandindo e chegou até o Egito. No ano 2000 a.C, as civilizações acreditavam que o próprio Deus Osíris havia ensinado às mulheres a maneira de fazer cerveja. Para eles a cerveja era uma bebida sagrada, o que colocava as mulheres em um patamar superior, por terem sido elas as escolhidas para a produção da cerveja.

Vale dizer que nas civilizações antigas a produção da cerveja era a única oportunidade de trabalho que as mulheres tinham e podiam abrir suas próprias tabernas, locais onde eram vendidas as cervejas.

mulher fazendo cerveja

A lei dizia que as mulheres eram autoridades cervejeiras

De acordo com o Código Babilônico de Hamurabi, uma das primeiras leis da civilização, na Mesopotâmia, as mulheres deveriam ser reconhecidas como as verdadeiras autoridades quando o assunto era cerveja. O motivo era justamente a prática e os saberes adquiridos e compartilhados ao longo dos anos.

Mulheres cervejeiras tinham o direito de se divorciar

Os babilônios tinham alta estima pelas mulheres devido a produção de cerveja. O que fez com que elas conquistassem direitos, como a possibilidade de se divorciar e possuir propriedades.

Cerveja se espalhou pelo mundo

Ao longo do tempo, a produção da cerveja ultrapassou as fronteiras do Oriente Médio e chegou até a Europa. Registros mostram as mulheres das tribos germânicas em migração produziam a cerveja na floresta, enquanto tentavam evitar o ataque dos vikings.

Entre os anos 600 e 1000 d.C as mulheres do Império Wari, no Peru eram conhecidas por preparar a chicha, uma bebida

O conhecimento cervejeiro chegou também às mulheres inglesas, que produziam a bebida com baixo teor alcoólico e grande quantidade de nutrientes e alimentavam suas famílias com a cerveja.

Na Holanda, as mulheres passaram a ser tão conhecidas pela produção de cerveja que o governo limitou a quantidade de homens que podiam produzir a bebida.

garrafas de cerveja industrializada

Industrialização tira as mulheres da produção da cerveja

À medida que os avanços industriais começaram a crescer, no final do século 18, a cerveja começou a ser produzida em maior escala. Diante disso, o processo de fermentação da cerveja passou a ser feito por máquinas. Como as oportunidades de trabalho eram escassas para as mulheres, elas não tinham dinheiro para permanecer no mercado cervejeiro.

Os empresários e cientistas da época ridicularizavam as mulheres por seu conhecimento passado de uma geração para a outra por meio da oralidade. Eles diziam que era necessário usar a ciência para a produção de cerveja.

Além disso, as mulheres não conseguiam fazer empréstimo nos bancos ou abrir sua própria fábrica de cervejas. A desmoralização foi tamanha, que as mulheres que tomavam cerveja eram julgadas pela sociedade, intimidando as mulheres que frequentavam bares.

Pequenas produtoras espalhadas pelo mundo

Apesar do processo de industrialização da cerveja alguns grupos de mulheres espalhados pelo mundo continuaram com a produção caseira de cerveja, principalmente na América do Sul, África e Extremo Oriente.

mulher jovem bebendo cerveja

Retomada das mulheres cervejeiras

Apesar dos desafios, mulheres de diferentes lugares seguem trabalhando e conquistando seus lugares como cervejeiras. Um exemplo é a especialista em cerveja Carol Stoudt, que criou a Stoudt’s Brewing Company, em 1987.

Outra é a Teri Fahrendorf, responsável por fundar a Pink Boots Society, como forma de capacitar mulheres profissionais de cerveja. Em 2008, ela contava apenas com 22 mulheres, hoje já são mais de mil.

Ainda tem muito a ser alcançado pelas mulheres cervejeiras, mas a história mostra que elas têm capacidade, talento e disposição de sobra para chegar muito mais longe.

Cervejeira também ajuda a gelar sua bebida

Além de podermos chamar de cervejeira a mulher que consome, entende e trabalha com cerveja, também é possível contar com a cervejeira para gelar e armazenar a bebida.

A Consul conta com uma linha completa de Cervejeiras projetadas para atender às suas necessidades.

Agora que você já sabe sobre a participação das mulheres na história da cerveja, que tal saber quais são os tipos de cerveja e a temperatura ideal para cada uma delas

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